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    2019-06-17

    O Comitê de Redação de Araucaria de Chile, que o integrou permanentemente até sua última publicação em 1990, foi composto pelos seguintes intelectuais chilenos: Luis Bocaz, professor, crítico e ensaísta; Osvaldo Fernández, professor de filosofia; e o jornalista Luis Alberto Mansilla. O economista Alberto Martínez incorporou-se ao Comitê Central de Redação a partir do número 8 de Araucaria de Chile. Ao comentar sobre os membros principais da redação da revista Araucaria, Carlos Orellana fez questão de lembrar, ainda, o nome da professora, crítica literária e ensaísta Soledad Bianchi, que em “cuatro años de colaboración fue pieza valiosa en el establecimiento de fructíferos nexos con un amplio abanico de jóvenes escritores, prosistas y poetas, tanto del exilio como del interior [Chile]”. Orellana, ao referir-se ao corpo editorial da revista, afirmou que Essa citação evidencia a existência efetiva de uma rede de sociabilidade intelectual ligada a culturas políticas de esquerda, rede esta que poderia se fazer ainda maior, já que Araucaria de Chile veiculou textos de inúmeros colaboradores, dentre os quais renomados escritores chilenos e latino-americanos, como Ariel Dorfman, Antonio Skármeta, Bernardo Subercaseaux, Fernando Alegría, Mario Benedetti, Julio Cortázar, Gabriel García Márquez e Eduardo Galeano. O editorial de lançamento da revista afirmou que o nome Araucaria de Chile foi uma referência a ícones da identidade chilena, como a árvore típica da paisagem do país e os povos araucanos. Embora a maioria dos assuntos ressaltassem, de fato, marcas da história do Chile e enfatizassem, sobretudo, problemáticas do país durante a ditadura pinochetista, a re-vista, até em razão da diversidade de colaboradores mencionados, abordou vários temas relativos aos demais países da América Latina. Dentre os assuntos recorrentes em Araucaria de Chile estiveram as experiências revolucionárias em Cuba, em 1959, e na Nicarágua, em 1979. Podemos afirmar, com buy AGN 194310 em estudos sobre o assunto, que a revolução em Cuba no final da década de 1950 foi resultado de uma insatisfação popular com o longo processo de dependência político-econômica do país em relação aos Estados Unidos, desde a ruptura com os laços coloniais com a Espanha em 1898. Com a ascensão de Fulgencio Batista ao comando do Estado cubano, por meio de um golpe, em 1952, e a desmosome ditadura instituída desde então, apoiada pelo governo norte-americano, agravou-se uma situação de ausência de liberdade política, de democracia efetiva e de condições dignas de existência para a maioria da população. Sucederamse, então, tentativas políticas de caráter insurrecional contra o regime de Batista, como o assalto ao quartel Moncada, em Santiago de Cuba, no ano de 1953, e a organização de atividades guerrilheiras em Sierra Maestra, a partir de 1956, até culminar na tomada do poder pelos revolucionários, em janeiro de 1959. Principal opositor de Fulgencio Batista durante todo esse processo e líder da Revolução Cubana, Fidel Castro contou com o apoio de distintos segmentos sociais urbanos e rurais, sobretudo destes últimos, todos insatisfeitos com as condições de atraso econômico e com o autoritarismo governamental amparado por forças imperialistas norte-americanas. Para unir amplos setores da sociedade, “o centro de gravidade da revolução ficava, inicialmente, na libertação nacional”. Posteriormente, na tentativa de consolidar as premissas da revolução, a concepção de nação arrastou consigo a edificação de uma ordem social inteiramente nova, a socialista. Fernando Martínez Heredia, em sua perspectiva de periodização da Revolução Cubana marcada pela longa duração, que demarca as origens do pensamento social que a levaram a cabo e que trasfere suas consequências para as décadas mais recentes, aponta que, não obstante os êxitos iniciais do processo revolucionário no que tange à conscientização e maior envolvimento político e cultural da sociedade cubana, a partir de 1970, em uma segunda fase, “el pensamiento social sufrió una sujeción a cambios que provocaron la detención de su desarrollo, y un gran empobrecimiento y dogmatización”. Isso teria sido resultado do endurecimento do controle do Estado em relação à sociedade, na tentativa de manutenção dos preceitos da revolução diante de um cenário de crescimento das críticas ao comando central repressivo do governo, cada vez mais vinculado às diretrizes políticas e econômicas dos soviéticos. Contudo, como veremos, por questões de proximidade ideológica, os colaboradores de Araucaria de Chile ressaltaram positivamente, sem qualquer tipo de crítica, o processo revolucionário em Cuba, de suas origens até a década de 1980.